Leitura e formação afetiva das crianças e adolescentes


A importância da leitura vai para além da capacidade de aprendizado tradicional. Por meio dela é possível criar incentivos para descobrir e registrar sua própria história, compreender o que cada pessoa gosta ou não, entender seu papel na sociedade, fomentar a noção de pertencimento e aprender por meio do lúdico a lidar com as emoções e com os desafios que existem no mundo. Ou seja, leitura e formação social estão fortemente ligadas, e aqui no Lar Casa Bela não é diferente.



Leitura e formação de pensamento crítico e desenvolvimento emocional


A leitura não é somente uma forma de entretenimento ou uso acadêmico, mas sim, uma maneira fundamental de criar pensamento crítico e de desenvolver a capacidade intelectual. A pessoa que lê tem a oportunidade de contextualizar suas próprias experiências com o que foi lido, e assim passar a ter uma nova opinião sobre o tema, desde assuntos leves até mais complexos.


A pessoa jovem que é capaz de entender a realidade pode moldar a sua própria, de acordo com os seus interesses, valores e necessidades. Além disso, a leitura oferece a oportunidade de compreensão de outros pontos de vista, fazendo com que cada pessoa seja mais tolerante e aberta a outras culturas e realidades.


Além do desenvolvimento cognitivo, leitura e formação afetiva também estão conectadas. É por meio da leitura que os educadores podem abordar assuntos difíceis com as crianças.


No caso das crianças acolhidas, sabemos que a situação é mais delicada. A separação dos familiares e responsáveis é um dos maiores medos de uma criança ou adolescente que depende completamente desses adultos. Além disso, quando crianças e adolescentes são retirados da família, provavelmente já passaram por momentos desafiadores e emocionalmente complexos.



Como a leitura incentiva o protagonismo juvenil


Relacionando leitura e formação emocional, aqui no Lar Casa Bela colocamos em prática o programa Fazendo Minha História, desenvolvido pelo Instituto Fazendo História. Esse projeto forma, seleciona e acompanha pessoas para que construam vínculos afetivos com as crianças e adolescentes. A partir daí, a dupla criança-adulto se aproxima afetivamente através da mediação da leitura, que oferece recursos para os meninos e meninas elaborarem suas vivências.


A leitura é um dos pilares desse projeto, pois é por meio dela que o acolhido e o voluntário irão construir um álbum de histórias, contendo relatos, depoimentos, fotos e desenhos. Este álbum pertence à criança ou ao adolescente e irá acompanhá-lo por onde for.


Para a execução desse programa, cada acolhido - hoje são 12 - tem um voluntário de referência. Essa pessoa dedica uma hora por semana para compor o álbum com fotos, textos, colagens e desenhos juntamente à criança ou adolescente. No caso dos bebês, apenas o voluntário vai montando o livro até que eles tenham idade suficiente para começar a fazer o registro com suas próprias mãos. Esses voluntários se tornam referência para os acolhidos e também são responsáveis por levá-los para realizar atividades fora do Lar.


O mais interessante é que a criança e o adolescente têm a oportunidade de reconhecer a própria história de vida, independentemente das mudanças. Certamente, é uma forma de preservar suas origens e compreender que existiam outras pessoas que fizeram parte de suas vidas”, explica o psicólogo do Lar Casa Bela Cauê Briganti.


Atualmente, devido à pandemia, os passeios estão suspensos e os voluntários não podem ter contato próximo com a criança durante a fase vermelha.


“Porém, estamos conseguindo manter os laços por meio dos encontros virtuais, ou até mesmo pelo contato a uma distância segura, com visitas pela sacada para ver a criança de longe e manter os laços. Essa conexão é tão profunda que muitos que estão há mais tempo acolhidos acabam se tornando afilhados afetivos desses voluntários”, declara Cauê.



Outras atividades extracurriculares, autonomia, leitura e formação profissional


O Projeto Biblioteca, criado pelo Lar Casa Bela, volta-se às crianças que já são alfabetizadas, a partir dos seis/sete anos. Por aqui, montamos a biblioteca por meio de doações e os acolhidos podem pegar um livro por semana.


Buscamos compreender o que é de interesse deles, para poder recomendar leituras sem forçar, apenas incentivando. Esse encorajamento é fundamental porque muitos que vêm aqui para o Lar têm uma defasagem grande, sendo que na maioria dos casos a retirada da família ocorre justamente pelo fato de o acolhido não estar frequentando a escola”, complementa Cauê.


A leitura faz com que as crianças e adolescentes ganhem créditos para comprar o que quiserem em outro projeto da casa, a Lojinha La Bela. Tudo que chega na instituição de doação, seja roupa, brinquedos ou outros objetos são reunidos. No fim de cada mês montamos a lojinha.


Crianças a partir dos 5 anos de idade podem participar. Fazemos um dinheiro de papel para os pequenos e um cartão de crédito para os adolescentes para que eles possam aprender sobre valores, parcelamentos e juros”, detalha o psicólogo.


Leitura e formação andam lado a lado aqui também, pois crianças e adolescentes que têm gosto por ler conseguem se sair melhor nas conquistas profissionais iniciantes. Por isso, sabemos que investir nas atividades extracurriculares de nossos acolhidos e acolhidas é fundamental para o seu futuro!


Contribua para o desenvolvimento das nossas crianças nesse momento delicado de pandemia e isolamento. Doe oportunidades, amor e esperança. Saiba mais aqui. :)


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