As modalidades de acolhimento de crianças e suas diferenças

Imagine 34 mil crianças. Difícil colocar em uma mesma imagem esse alto número não é mesmo? Mas essa é a quantidade de crianças e adolescentes que estão atualmente sendo acolhidos por instituições no Brasil, de acordo com o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento.

Lembra de quando você era criança e podia correr livremente, ir à escola, brincar com seus colegas e ao chegar em casa ter uma boa refeição te esperando? Para essas milhares de crianças e adolescentes, isso muitas vezes não acontecia.

As instituições de acolhimento são a forma de crianças e adolescentes poderem voltar a ter seus direitos básicos, agem como super-heroínas na vida dos meninos e meninas que perdem o direito de serem crianças. Cada ação é para que futuramente possam viver ao lado de quem amam em segurança. Em histórias e filmes, existem vários super-heróis e super-heroínas, cada um com seu super poder. Nos lares também é assim, há algumas modalidades de acolhimento específicas para cada caso.

Por que uma criança é acolhida?

Antes de iniciarmos uma viagem pelos lares coloridos que acolhem nossas crianças, é preciso que a gente compreenda o que é acolhimento. Pois bem, lembra quando falamos sobre a violação dos direitos? O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é a cartilha que assegura esses direitos. Em situação que há ameaça ou violação dessas garantias, é acionada uma medida de proteção excepcional e provisória para que esses direitos continuem sendo oferecidos.


Toda criança merece cuidado e um lar que garanta amor, esperança e possibilite que tenham uma infância marcada por brincadeiras e sonhos. Mas há situações que não permitem que sonhem tão alto, as condições em que estão inseridas, seja pela vulnerabilidade da família ou situações de violência, por exemplo, tiram a liberdade e a magia do sonhar. Assim como nos filmes em que vemos um agente responsável por construir um final feliz, esses pequenos também são acolhidos e inseridos em ambientes para que possam criar novas oportunidades e visões de mundo. Ao mesmo tempo que ficam nos lares temporários, suas famílias também estão sendo cuidadas para que futuramente possam se reencontrar. É feito um trabalho duplo, para que ambas as partes estejam aptas para viverem juntas novamente.


O atendimento para acolhimento

Assim que percebe-se uma situação de risco, a rede - que pode ser o CREAS, CRAS ou Conselho Tutelar do município - realiza intervenções nesse núcleo familiar. Se mesmo assim, a situação de risco permanecer e as crianças ou adolescentes estiverem tendo seus direitos violados, é preciso rever formas de garantir esses direitos básicos. A partir daí há o afastamento do convívio familiar, através do acolhimento.


Os pequenos ganham um novo lar temporário , passam a receber todo o amparo e cuidados necessários para que possam ser crianças e ter uma infância cheia de sonhos. Mas sempre focando no objetivo principal do trabalho desenvolvido durante esse período, que é a reinserção familiar. Afinal, elas querem estar ao lado de quem amam.


Esse trabalho é uma via de mão dupla, acontece com as crianças e também com suas respectivas famílias. E da mesma forma que uma via em certo momento acaba, o serviço feito com essa rede também. No final, se for observado que as famílias estão aptas para receber os pequenos há a reinserção, caso contrário, acontece a destituição do poder familiar.

Modalidades de acolhimento: para onde as crianças vão?

Acolhimento institucional


Casa lar

Um lar de acolhimento, com segurança, responsabilidade, afeto, regras e também brinquedos, atividades de lazer e de contraturno, horário de estudo e muito cuidado de pessoas que se importam. Um espaço que vai muito além da atuação de uma creche ou projeto de contraturno escolar, mas sim um ambiente em que as crianças têm garantido para si toda a atenção necessária para acesso à saúde, educação, lazer e desenvolvimento cidadão.


É essa realidade que as crianças e adolescentes que chegam ao Lar Casa Bela encontram. Aqui, cada acolhido recebe amor e cuidado de pessoas que realizam um atendimento personalizado com olhar individualizado. Na casa lar até 10 crianças e/ou adolescentes de 0 a 18 anos podem morar. E a elas dedicamos toda a atenção interna, mas também tomamos o cuidado de mediar sua relação com serviços necessários ao seu bem-estar. Afinal, visamos o convívio e a inserção dessa criança ou jovem na comunidade, por isso: todas as atividades possíveis são realizadas externamente.


Além disso, nessa modalidade é preciso a presença de uma pessoa ou casal que trabalhe como educador ou cuidador residente. Os lares também devem ser moradias privadas e estarem de acordo economicamente com a região que estão inseridos.


O Lar Casa Bela é uma casa que acolhe toda criança e adolescente que chega até nós. Entendemos que preparar uma criança para voltar a família leva tempo, o ECA estima que os pequenos ficam nas instituições uma média de 1 ano e meio.



Abrigo institucional

Outra modalidade de acolhimento é o abrigo institucional. Assim como em todas as formas de acolhimento, aqui também é fundamental que as crianças se sintam realmente bem recebidas, por isso, recomenda-se estruturas semelhantes à residências, inseridas em uma comunidade e ambiente residencial. Mas diferente da casa lar, no abrigo institucional é permitido maior número de crianças e adolescentes, 20 ao total, de 0 a 18 anos. Nesses ambientes, os cuidadores trabalham por turnos.


Para cada 10 crianças é preciso de pelo menos 1 educador e 1 auxiliar. Na equipe técnica é preciso de 1 psicólogo, 1 assistente social e 1 coordenador.


Acolhimento em república para jovens

E se após os 18 anos os jovens continuarem sob tutela das instituições? Nesses casos são direcionados para as repúblicas, que tem como objetivo oferecer apoio e moradia aos atendidos. Para gerar mais autonomia aos moradores, são eles que fazem algumas atividades diárias como lavar a louça, resolver conflitos de rotina e aprender, na prática, a independência e autogestão.


Na república é permitido 6 jovens de 18 a 21 anos por unidade, sendo que a cada 4 repúblicas (24 jovens), é necessário 1 psicólogo, 1 assistente social e 1 coordenador.


Serviço de acolhimento em família acolhedora

Sabe situações em que jovens realizam intercâmbios e ficam sob tutela de outras famílias? O sistema de acolhimento por uma família acolhedora é parecido. Por meio dele, famílias que passam por um processo de capacitação e avaliação de sua aptidão para função, se colocam à disposição do cuidado de crianças e adolescentes. Nesta modalidade, as famílias acolhedoras ficam temporariamente, aproximadamente 6 meses, com uma única criança ou adolescente, ou então, irmãos.

Para ser uma família acolhedora é preciso que todos os membros do núcleo familiar estejam de acordo, tenham apoio, tempo e comprometimento com o desenvolvimento das crianças. Além disso, não ter antecedentes criminais ou estar no processo de adoção são pré-requisitos. Quando acontece esse acolhimento, os atuais responsáveis não assumem os papéis de pais, mas auxiliadoras para reinserção familiar.

Para cada criança há um espaço de acolhimento

Como pode perceber, para cada criança há um lugar de acolhimento. Se cada instituição fosse um super-herói, teríamos uma liga com 4 modalidades de heróis. Juntas, essas modalidades de acolhimento buscam levar o brilho nos olhos novamente aos pequenos e proporcionar que futuramente voltem a viver no lugar que mais amam, ao lado dos responsáveis ou construindo uma nova jornada.


Você pode fazer com que algumas crianças e adolescentes continuem tendo o poder de sonhar. Doe para o Lar Casa Bela!

ÁREA DE ATUAÇÃO: SERVIÇO DE ACOLHIMENTO

FUNDAÇÃO: 15/08/2012

CNPJ: 16.934.181/0001-63